CALÇADO

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(The Houghton Line, November 1965)

"Para esqueceres os teus problemas, caminha com sapatos apertados."

Os pés são o ponto fraco da maioria dos peregrinos que se metem a Caminho pela primeira vez. A escolha do calçado mais apropriado às características de cada peregrinação é um dos segredos para fazer uma boa caminhada, sem demasiados problemas. Presta muita atenção à compra do calçado. Uma má escolha de calçado vai acompanhar-te por muitas centenas de quilómetros. Qualquer sapato de caminhada deve ter, pelo menos, dois dedos acima do calçado habitual, pois os pés incham durante a caminhada e acabam por "crescer" : )

- "Devo comprar calçado novo para a peregrinação?" Depende de quanto tempo tens para "partir" esse calçado, até ao dia da partida. Deves, pelo menos, fazer 6 caminhadas de 10km, no caso dos sapatos. No caso das botas e sandálias, depende da rigidez da bota e da adaptação dos pés, mas recomendamos, no mínimo,10 caminhadas de 10km, antes da peregrinação.
 

- "Partir" o calçado? Não estamos a falar de estragar o calçado... mas encontrar um equilíbrio entre o desgaste do calçado e a sua adaptação aos nossos pés. A partir de uma certa altura, o calçado toma a forma do pé e torna-se mais cómodo.
 

- A escolha do calçado mediante a estação do ano. Independentemente da estação do ano, os pés devem andar sempre secos, nunca suados ou húmidos, por causa da chuva, outras águas ou transpiração. O nosso clima não é demasiado frio, como tal, a maioria das botas e sapatos de inverno, à venda em Portugal, são demasiado quentes, pois foram concebidos para andar com temperaturas negativas. São muito confortáveis enquanto estamos parados, mas, ao começarmos a andar, vamos começar a suar dos pés... Depois vem a sua maceração e a seguir vêm as bolhas....
 

- Atacadores. É fundamental apertar muito bem o calçado da ponta do pé até ao calcanhar. 

- Sandálias. É o calçado dos peregrinos há séculos. Até fazermos uma peregrinação de sandálias, nunca vamos sentir verdadeiramente o Caminho. Após alguns anos de experiência a peregrinar, recomendamos esta experiência a todos os peregrinos. Não é fácil nem limpa e provoca um grande desgaste nos pés... Mas é indescritível o prazer de sentir as ervas frescas da manhã, passar por um riacho tranquilamente sem ter medo de molhar os pés, ver os outros peregrinos afogueados com o calor, enquanto nós estamos bem... Mas existem desvantagens. Mais rapidamente ferimos os pés. Entram muitas pedras que têm que ser limpas e, devido ao contacto directo das sandálias com a pele, é normal não cheirarem bem. Recomendamos lavar a parte em contacto com a pele, com sabão neutro, logo após a chegada ao albergue e pôr a secar de seguida. Nunca deixar as sandálias dentro do quarto, para evitar os maus odores. Quando estiver de sandálias, não esquecer de pôr protector solar na parte de cima do pé.

- Sandálias com meias? É uma forma de proteger os pés, mas torna muito mais complicada a remoção de pedras e rapidamente as meias se rompem. Normalmente, os peregrinos do norte da Europa têm o hábito de calçar sandálias com meias ao fim do dia; mantém o pé arejado, mas quente. Não é bonito, mas é eficiente. As sandálias modernas de caminhada têm múltiplas afinações, que permitem ajustar o pé, para evitar ao máximo que ande solto. Recomendamos sandálias com sola "Vibram" ou similar. Este tipo de solas consegue um bom equilíbrio entre protecção, ergonomia e conforto dos pés.

- Sapatos de Caminhada. Existe uma oferta quase interminável no mercado... Mais bonitos, mais resistentes, para todo o tipo de terrenos, com atacadores, com velcro, mais ou menos respiráveis, com ou sem suspensão, reflectores,... Recomendamos que tenham uma sola Vibram ou similar, com pouca suspensão, sejam bastante respiráveis (gore-tex ou outro sistema idêntico), que os pontos de aperto dos atacadores sejam metálicos e quase até à ponta do sapato, completamente ajustados aos pés depois de apertados, com uma boa protecção à frente de borracha (contra as rochas), com a sola semi-flexível e confortável (quer parado ou a andar).

- Botas de caminhada. Exceptuando a questão da flexibilidade dos sapatos, todo o resto também se aplica às botas. Deves escolher botas bastante respiráveis. As botas funcionam como os "todo-o-terreno" do Caminho. Podes andar por todo o lado, sem se estragarem. No entanto, como os "todo-o-terreno", a suspensão é mais dura, e em estrada são menos confortáveis que um sapato. É necessário aprender a caminhar com botas. As grandes vantagens das botas são: a sola, que isola o pé das irregularidades do terreno; apoiam o calcanhar e tornozelo; e ajudam a estabilizar os pés, dentro do calçado, protegendo os tornozelos das torções acidentais. As desvantagens: é necessário adaptar os pés às botas, são mais quentes e dão mais trabalho para tirar pedras. Têm pouca ou nenhuma flexibilidade. São mais pesadas. É preciso ter muito cuidado com o aperto do atacador, na zona do tornozelo, para evitar a lesão do alpinista.

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NÃO RECOMENDAMOS:
- Caminhadas de pé descalço. É um risco de saúde, pelos cortes, pela sujidade no chão das cidades, pelos danos para o resto da vida que esta experiência pode trazer. Torna o teu sofrimento útil, ajuda outros peregrinos.
- Sapatos "five fingers". Não recomendamos, pelo facto do peregrino sentir todas as irregularidades do caminho e por isolarem pouco do calor do alcatrão. Este calçado pode ser agradável durante uma hora de corrida ou caminhada... Mas não durante 12 horas de peregrinação.
- Sapatos de pele. Não recomendamos, porque estes sapatos são, normalmente, pouco respiráveis.
- Os sapatos de Rede das Avós... São uma alternativa arejada e económica com sola grossa. Não morremos de amores por estes sapatos, mas temos de admitir que cumprem a sua função, as Avós chegam lá.
- Sapatilhas de sola fina, sabrinas e afins. São proibidas.

RESUMO:
Escolhe com calma e sozinho. Faz um estudo na Internet, fala com pessoas que tenham os sapatos que pretendes, tira a medida exacta dos teus pés, sem te esqueceres que existem meios números, em algumas marcas. Experimenta caminhar, pela loja, com os sapatos bem afinados e com meias de caminhada. Vê se existem imperfeições nos acabamentos do calçado. Nem sempre o mais caro é o melhor, nem o mais barato o pior.

(Noortje de Bijl )

“A Cinderela provou que um par de sapatos novos podem mudar a tua vida.”

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